Democracia

Cabo de força na Catalunha

O cabo de força é um dos jogos mais antigos da humanidade. Grupos rivais se perfilam em lados opostos e tentam puxar com mais força, até trazer o adversário para além de uma linha fixa. Quem consegue puxar mais, vence. É um jogo de força, mas envolve paciência, resistência, determinação e técnica. Nem sempre o mais forte vence; a soma coordenada dos jogadores pode selar o desfecho. O governo regional da Catalunha e o governo central do Reino da Espanha estão em pleno cabo de força nesse momento. Há dois anos, a coalizão política Junts pel Sí venceu as eleições regionais da Catalunha, com a promessa de levar a cabo um processo de consulta popular sobre a independência catalã. Uma consulta é, por definição, um processo democrático, pois permite que o povo opine diretamente, sem intermediários, sobre o que deseja para o presente e o futuro. Assim era na pólis…

EUA

Houston submersa

O Furacão Harvey não chegou a Houston. Transmutado em tempestade tropical, atingiu a região e provocou uma das maiores catástrofes urbanas da história dos EUA. Dias seguidos de chuva tornaram Houston uma cidade inundada em águas turvas. É chocante ver uma das mais importantes cidades dos EUA sendo tragada não apenas pelas águas, mas por consequências aparentemente inesperadas, como a paralisação de refinarias, transbordamento de represas, poluição de indústrias químicas, incêndios e a dificuldade em resgatar pessoas em suas casas isoladas – sobretudo idosos. Em momentos como esses, urge que o presidente do país exerça sua liderança in extremis. Vã esperança de quem imaginava que Donald Trump emergiria como líder no momento da urgência. Sua incapacidade de ser o presidente de todos é notável. Trump consegue ser o chefe dele mesmo e de um grupo de apoiadores e simpatizantes. A grande mídia nos EUA, sempre comedida em comentários sobre roupas…

Democracia

CHARLOTTESVILLE

Charlottesville é um divisor de águas nos EUA. O que se viu ali, os protestos, os confrontos de rua, as suásticas em desfile, a morte de uma jovem, a retirada de estátuas de soldados sulistas da guerra civil, tudo isso ocorreu numa cidade do Estado de Virgínia, a duas horas e pouco de Washington, DC. Supremacistas brancos marcharam em nome da superioridade da raça branca, invocando o presidente dos EUA como guia e inspiração. O cenário parece fictício, mas não é. O racismo aberto ganhou força com a eleição de Trump. O racismo contra negros e judeus, e a intolerância com gays, ganhou ares de legitimidade, o que desafia a todos que, incrédulos, viram grupos de racistas vociferando pela superioridade dos brancos. Todos – menos seus apoiadores – esperavam que o presidente Donald Trump condenasse com veemência aquilo e se desmarcasse do discurso de ultra direita radical.  Mas não foi…

EUA

O “truco” de Trump

Quem já viu ou jogou truco sabe que os jogadores “profissionais” ganham muitas partidas – e reputação de bons jogadores – no grito, com muito blefe. Donald Trump é um truqueiro e usa seu Twitter o tempo todo para trucar países e pessoas. Como empresário, ele fazia isso sempre e às vezes ganhava, às vezes perdia. Mas o jogo do presidente, quando se depara com um rival que gosta de brincar – e tem algumas cartas perigosas na manga – pode resultar numa catástrofe. Assim é o jogo entre os EUA, de Trump, e a Coréia do Norte, de Kim. Um jogo perigoso, em que cada um diz “truco!” mais alto para impressionar os que estão em volta, acompanhando de perto e de longe. A China, que está perto, tem sido intimada a aconselhar Kim a deixar de lado o truco e jogar algo mais inofensivo, talvez um buraco. Beijing…

América do Sul

Sobre a crise na Venezuela

A crise da Venezuela é o tema mais importante da região latino-americana no momento. A crise é complexa porque é política e econômica. Os crescentes embates entre o governo de Nicolás Maduro e a oposição vem ganhado perigosa intensidade nas ruas daquele país. A convocação pelo governo de uma Assembleia Constituinte é mais um capítulo que estica a corda da polarização em curso. Há notórias indicações de uma crise humanitária provocada pela escassez de alimentos e de medicamentos. O número de imigrantes forçados venezuelanos que atravessa as fronteiras com os vizinhos aumenta a cada dia, gerando pressão sobre as populações locais naqueles países. Muitos tentam alcançar o Caribe, por meio de balseros, algo impensável de acontecer até poucos anos atrás numa das nações petrolíferas do planeta. O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) vem monitorando a situação e exortando os governos vizinhos a receber o os migrantes venezuelanos. No…