EUA

A guerra civil de Trump

Com um mês de presidência, Donald Trump age mais como militar entrincheirado do que como chefe de Estado. Tendo o Twitter como sua arma principal, Trump atira para todos os lados, atingindo, inclusive, aliados. Mas o presidente elegeu como seu inimigo preferencial a grande mídia norte-americana. Uma verdadeira guerra civil – guerra de palavras, de gestos, comunicacional – foi desencadeada a partir da Casa Branca, como uma extensão da campanha eleitoral. Muitos analistas vêm Trump como um presidente vestido de candidato, como o sujeito que usa sempre o mesmo paletó, porque acha que lhe cai bem… Mas o que está em curso, nesses trinta e poucos dias de presidência de Trump, é uma guerra pela conquista da verdade dos fatos, como se essa conquista desse ao vencedor o monopólio da palavra. Trump acusa os meios de comunicação – a chamada grande mídia – sobretudo o Washington Post, o The New…

EUA

President’s Day

  Washington, DC, 20.02.2017 – Neste dia 20 de fevereiro, celebra-se o Dia do Presidente (President`s Day) nos EUA. Feriado nacional, nesse dia todos os ex-presidentes estadunidenses são homenageados. A data se refere ao aniversario de George Washington, nascido em 22 de fevereiro de 1732, o primeiro presidente dos EUA. Há 17 anos a TV a cabo C-SPAN elabora um ranking para eleger os melhores presidentes dos EUA, a partir de uma enquete feita com historiadores do País, que devem avaliar dez qualidades de liderança dos presidentes, e conferir a eles uma nota de 1 a 10.  As qualidades são: capacidade de persuasão; liderança em momentos de crise; gestão econômica; autoridade moral; relações internacionais; capacidade administrativa; relações com o Congresso; visão para governar; realização de justiça igualitária; e performance no contexto de seu mandato. Na terceira serie do ranking, feita em 2017, dos 44 presidentes avaliados, quatro deles se mantem…

EUA

Trump vive sua maior crise desde a posse

Washington, DC, 15.02.17 – Donald Trump vive sua maior crise desde a posse. Com um governo caótico, tal como descrito pelos jornais The New York Times e Washington Post, Trump teve que demitir seu assessor de segurança nacional, General Michael Flynn, após o FBI denunciar que ele havia mentido sobre contatos feitos com o Embaixador da Russia, de forma totalmente descoberta de padrões básicos de segurança. Flynn negou ter feito esses contatos, mas eles estavam monitorados pelo FBI e por outras agências de segurança. Trump não teve alternativa a não ser se livrar do general mentiroso. Após a saída de Flynn, até alguns senadores republicanos estão propensos a avançar na investigação parlamentar sobre o envolvimento da Russia na campanha de Trump, um assunto que já estava indo para o arquivo… Além do grave dano externo ao governo, o episódio causou tensão entre Trump e seu vice, Mike Pence, que foi…

EUA

Mais uma derrota de Trump no Judiciário

WASHINGTON, DC, 09.02.17 – A Corte Federal de Apelação do 9º Distrito (que compreende os Estados da Costa Leste, veja a foto) manteve a decisão liminar de suspender a ordem executiva de Donald Trump que impedia a entrada de refugiados de todos os países por 120 dias e imigrantes de sete nações islâmicas. O duríssimo golpe dado com o martelo dos magistrados vai impondo uma importante limitação ao desmedido poder auto-conferido pelo presidente Trump, quem, naturalmente, não aceita baixar a bola, e continua exercendo trasloucadamente o que conhecemos como “jus sperniandi”. Embora não seja definitiva, a decisão do painel de três desembargadores federais não se convenceu dos argumentos do governo, considerados incompletos, de que os indivíduos atingidos pelo veto de entrada seriam “uma ameaça à segurança nacional”. A Corte criticou o fato de o governo dizer que os juízes não deveriam se envolver nesses assuntos, e ao mesmo tempo não…

Democracia

JUSTIÇA BARRA ORDEM DE TRUMP CONTRA REFUGIADOS

          Donald Trump amargou duas derrotas nessa semana. Sua ordem executiva contra migrantes e refugiados foi suspensa por um juiz federal e por um tribunal federal de apelação. Foram decisões muito celebradas pelos migrantes em geral e por parte considerável da sociedade americana. A primeira decisão partiu de um juiz federal – indicado por George W. Bush, do mesmo partido de Trump – e suspendeu a ordem executiva do Presidente. Diante disso, o governo foi obrigado a revalidar cerca de 60 mil vistos já cancelados de migrantes afetados pela ordem. Fiel ao seu estilo “menino que não sabe perder”, Trump questionou a autoridade do magistrado, dizendo “A opinião desse pretenso juiz (“so called judge”) é ridícula e será revertida”, o que na prática significa desafiar a competência do juiz para o caso. Congressistas democratas protestaram contra a declaração de Trump, interpretada como ameaça à independência do…

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Ordem de Trump causa desordem nos EUA

A ordem executiva de Donald Trump sobre o ingresso de estrangeiros esta causando uma verdadeira desordem nos EUA. Já há varias ações contestando a decisão do Presidente que foi qualificada como “ilegal e imoral” pela Ministra da Justiça interina, demitida em seguida. Um dos impactos inesperados é sobre a enorme comunidade acadêmica de estrangeiros nos EUA. Sobre isso, gravei um vídeo, relatando minha participação numa reunião realizada pela Pró-Reitoria Comunitária da American University, em Washington, DC, em 31.01.2017. Clique no link para assistir o vídeo: “Debate sobre a ordem de Trump para estrangeiros”

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A BATALHA LEGAL PELA PROTEÇÃO DOS REFUGIADOS NOS EUA

O Presidente Trump assinou, em 27.01.17, uma ordem executiva para suspender por 120 dias o Programa de Reassentamento de Refugiados do país e assim barrar a entrada de refugiados vindos de sete países islâmicos: Iraque, Irã, Libia, Somalia, Sudão, Síria e Yemen. O nome da ordem é “Protecting the Nation from Foreign Terrorist Entry in the United States” (Protegendo a nação da entrada de terroristas estrangeiros nos EUA). Esse ato já está sendo contestado judicialmente por dois iraquianos, Darweesh e Alshawi, que foram detidos no Aeroporto JFK em Nova York. Os advogados deles tentaram em vão ter acesso aos seus clientes no aeroporto. Quando indagaram aos agentes de migração a quem deveriam recorrer, receberam a resposta: “Mr President. Call to Mr. Trump”. Veja o pedido de habeas corpus impetrado pelos advogados contra o Presidente e as demais autoridades envolvidas na implementação da medida (Case 1:17-cv-00480), divulgado pelo jornal Washington Post:…

EUA

O discurso e a reação

Donald Trump foi empossado como 45º Presidente dos EUA, numa manhã chuvosa e enevoada, junto ao Capitólio, em Washington, DC, como pedem os filmes de suspense (ou de terror). De um lado, o carisma, a leveza, o bom humor e a aprovação maciça dos que saíam; de outro lado, o peso, a sisudez, a raiva e a contestação maciça dos que chegam. Trump abordou o parlatório em posição de ataque, com um arsenal ameaçador. A “América Primeiro” (America first) foi o jargão dito e repetido com ênfase pelo novo presidente que reforça a ideia totalmente anacrônica de que os EUA são hegemônicos e tudo podem, sem necessitar de ninguém. Essa fala prepotente revela um caráter ignorante da vida internacional e do poder dos atores que atuam no mundo. É uma visão isolacionista e unilateralista, em desacordo com a atualidade das relações internacionais. O nacionalismo transbordou do “baú de novidades” ditas…