EUA

“Inauguration day”: um dia quase normal…

WASHINGTON, DC – A posse de um novo presidente dos EUA é carregada de simbolismo e de pompa. Mas, ao contrário do que se possa imaginar, não é um feriado nacional…apenas os funcionários públicos federais de Washington, DC, não trabalham, embora alguns atuem no rito da posse. Comércio, serviços, escolas funcionaram normalmente. Não existe aquele “congelamento” para celebrar a democracia. A vida continua com e apesar da posse… É claro que a capital ficou sitiada pela segurança máxima, com metrôs fechados e ruas bloqueadas. Mas esse ano foi distinto, pois houve protestos contra Trump na capital e mais de duzentas pessoas foram detidas. A POSSE – A posse presidencial tem aspectos muito peculiares. O protocolo permite várias falas. A cena não é monopólio do presidente eleito. Falaram os co-presidentes do Comitê de preparação da posse, dois senadores, um republicano e outro democrata. Causou surpresa ouvir o senador democrata defendendo todas…

EUA

Washington, DC – Entre a posse e o protesto

  WASHINGTON, DC – Com este post inauguro uma série de comentários sobre aspectos políticos, sociais e culturais dos EUA – feitos a partir de Washington, DC,  onde atuo como Visiting Research Fellow no Center for Latin American and Latino Studies (CLALS) da American University, desde janeiro de 2017. ENTRE A POSSE E O PROTESTO – Os ânimos em Washington estão divididos. Segundo a imprensa americana, Trump é o presidente eleito com menos aprovação às vésperas da posse – cerca de 40%. Terá apoiadores na sua “inauguração”, dia 20/jan, sem dúvida. Mas a preparação de um megaevento no dia seguinte está mobilizando muito mais pessoas – cerca de 200 mil – para contestar o presidente, tão logo ele seja empossado. Será a Marcha das Mulheres, em Washington, DC, que espera reunir milhares de pessoas para protestar contra o novo presidente. Trump não terá sossego, desde seu primeiro dia como presidente……

EUA

Intervenção da Russia na eleição americana

O governo Obama está finalizando seu segundo e último mandato de maneira atípica e inesperada para os padrões americanos. Na política externa, o confronto com a Rússia subiu de tom e chegou a um patamar inusitado, a partir de relatórios da CIA e do FBI apontando interferência indevida de Moscou na eleição americana.  Hackers teriam acessado informações de Washington para beneficiar ao candidato Trump, que nega e desdenha essa ocorrência, claro. Obama aprovou sanções contra a Rússia e “congelou” as relações. A gravidade do fato denunciado por Obama tem respaldo no Direito Internacional: o princípio de não intervenção nos assuntos internos é basilar das relações internacionais, sobretudo quando se trata da soberania entre países (Há muitas exceções ao princípio, quando se trata de organizações internacionais). O interessante do fato, olhando com algum distanciamento, é que o governo americano está corretamente indignado por um tipo de intervenção nos assuntos internos que…

EUA

Trump e Guterres

  Por vários motivos, o ano de 2016 é avaliado como horribilis por diversos analistas internacionais. Desde os atentados terroristas, passando pela saída do Reino Unido da União Europeia, a crise incessante dos refugiados, golpes de Estado, o desfecho da eleição americana, a sensação geral é de que o ano passado foi ruim, alguns dizem um dos piores dos tempos recentes. Será mesmo? No campo internacional, é possível identificar duas figuras que ascenderam à liderança de funções chaves para o mundo, em 2016, percorrendo caminho praticamente opostos, e com objetivos antagônicos, com promessas antípodas para 2017. Essas figuras são Donald Trump, novo presidente dos EUA; e Antonio Guterres, novo Secretario Geral da ONU. Quando olhamos 2016, podemos avaliar o lado ruim e o lado bom do ano pela eleição dessas duas personagens. Enquanto Trump ganhou fazendo uma campanha sórdida e explorando o lado mais sombrio dos anti-valores sociais, Guterres fez…

EUA

ONU condena Israel

A frase “ONU condena Israel” poderia ser mais uma das tantas que os jornais vem publicando há décadas sobre as violações de Direito Internacional que Tel Aviv promove contra os palestinos. Mas desta vez foi diferente: A ONU condenou Israel com anuência dos EUA. A abstenção dos EUA na aprovação da Resolução 2334, do Conselho de Segurança da ONU, de 23.12.2016, é um acontecimento histórico exatamente pela postura dos EUA, até então aliado incondicional do Estado Israelense na ONU. O que está em jogo aqui é a política de assentamentos judaicos na Cisjordânia (West Bank), promovida agressivamente pelo governo de Netanyahu e que viola o direito palestino à autodeterminação e ao direito ao território. Obama desafia não apenas o governo israelense – ambos estiveram às turras nos últimos oito anos – mas o seu sucessor, Donald Trump, que nomeou um novo embaixador favorável aos assentamos judaicos. Os EUA, apesar de…

Direito Internacional

Via segura, Alepo

A guerra da Síria já produziu a maior crise humanitária desde a Segunda Guerra Mundial. Longe de ser uma guerra civil, esse conflito envolve o interesse direto das potências, e opõe a Rússia e a China aos EUA e países do Ocidente. Controlar uma área estratégica do Oriente Médio (fronteira com Israel e Turquia) é o que está em jogo. Isso torna a resolução da guerra um quebra-cabeças de difícil montagem, pois ora uma parte ora outra se nega a cooperar para adotar a melhor solução. O próprio conceito do que seja a solução ideal não existe, ficando à mercê das vontades das potências entre si e dentro da ONU. Tal situação se revela nitidamente no dramático cerco a Alepo, onde milhares de civis aguardam dramaticamente seu destino, ante um plano de iminente ataque total das forças do governo. A urgência humanitária de salvar milhares de vidas de atrocidades maciças…

América Latina

ACESSO DE REFUGIADOS AO PAÍS VIZINHO

Pessoas refugiadas em fuga devem ter acesso livre e incondicional às fronteiras dos países de destino. Quando essa fronteira é terrestre ou marítima de país vizinho essa obrigação é ainda mais imperativa, diante do Direito Internacional dos Refugiados. Os que lidam com esse tema se deparam com frequentes violações a esse princípio que obriga os países a fretar acesso a refugiados, por razões humanitárias, dado o iminente risco de ilegalidades – ou mesmo de morte – que essas pessoas estão sujeitas. O Brasil vem tendo, desde a redemocratização, uma postura elogiável em relação ao tema dos refugiados, desde seus compromissos internacionais assumidos na ONU e na OEA, passando pela criação de um marco legal para regulamentar o reconhecimento de refugiados, até políticas de integração dessas pessoas, visando seu bem-estar duradouro. Porém, a deportação sumária feita pela Polícia Federal de vários venezuelanos que tentaram cruzar a fronteira no Estado de Roraima,…

América Latina

CASTRO, FIDEL

Um jovem pesquisador de Ciências Sociais que estuda as relações políticas da América Latina e Caribe, no ano de 2050, elabora um relatório sobre Cuba. Acessa um dicionário virtual e acha o verbete CASTRO, Fidel (1926-2016). Sua leitura é apaixonante, incessante, é praticamente um resumo do século XX, ao mesmo tempo em que carregada de dúvidas pelos diferentes retratos positivos e negativos dados por distintas pessoas e instituições sobre aquela personagem. Animado com a pesquisa, o jovem cientista social foi checar o que os principais jornais da época estamparam em suas capas no dia seguinte à morte de Castro (um aplicativo permite acessar essas informações). Uns jornais o chamavam de líder, outros de ditador; um mesmo jornal americano estampou primeiro “líder cubano”, depois mudou para “ditador”. O pesquisador percebe que os jornais tendem a ser negativos com a figura de Castro. Será por que ele e seus sucessores restringiram a…