Arkie do BRock - Eduardo Brandão

Arkie do BRock #36 – Disco de estreia do Secos & Molhados ganha nova releitura

Vem aí mais uma homenagem ao fenômeno multicolorido que transformou a rica cena underground paulistana da metade da década de 1970 no primeiro sucesso meteórico do rock tupiniquim. O repertório do Secos & Molhados chega nesse mês para as novas gerações em arranjos modernos. Batizado de Primavera nos Dentes – nome de uma das mais clássicas faixa do trio capitaneado por Ney Matogrosso – o trabalho ganha às ruas pela gravadora Deck.

A proposta partiu do ex-Titãs, Charles Gavin, que foi responsável por desarquivar os dois primeiros discos do S&M, no começo ao atual século. O trabalho de arqueólogo dos tesouros esquecidos nos arquivos das gravadoras nacionais rendeu ao baterista status de pesquisador musical e de apresentador de TV – ele é a alma do programa Som do Vinil, que vai ao ar todas as sextas-feiras, no Canal Brasil, cujo trabalho de pesquisa é dividido com o crítico musical Tarik de Souza.

 

O músico se juntou com um time de primeira. Reuniu a lenda (salve!) Paulo Rafael nas guitarras, que desde os anos 1970 acompanha Alceu Valença em suas inúmeras vertigens pelas mais variadas nuances da música brasileira. Ele foi um dos sócios-fundadores da emblemática banda do Udigrudi pernambucano, a sensacional Ave Sangria (também conhecida como o Rolling Stones do Sertão).

O baixo ficou com Pedro Coelho (que tocou no musical da Cássia Eller e na banda Dona Joana), com Felipe Ventura (Baleia / Xóõ / Cícero ) no violino e na guitarra. O vocal é da revelação Duda Brack, uma das mais cristalinas e roqueiras vozes da nova música brasileira.

Por mais de um ano e meio eles recriaram arranjos, ensaiaram e gravaram demo tapes aguardando o momento ideal de subirem aos palcos. Não tinham planos de gravar um disco tão cedo, mas receberam um convite do produtor Rafael Ramos (Pitty / Titãs / Vanguart) de lançar um álbum pela gravadora Deck. O selo havia lançado em 2003 o disco tributo Assim Assado (nome de outra faixa do disco de estreia do trio paulistano), com releituras de artistas nacionais para as primeiras canções do fenômeno de massa do rock brazuza.

O quinteto entrou no estúdio Tambor, no Rio de Janeiro, com produção do próprio Rafael Ramos, para registrar releituras de 11 canções. “A sonoridade e os arranjos se distanciaram bastante dos originais, diria que cada versão que fizemos tem a assinatura de cada um de nós. Também foi surpreendente constatar o fato de que a poesia das letras permanece extremamente atual e assertiva após décadas, deliciosamente doce e ácida, ingênua e politizada ao mesmo tempo, conectando-se com pessoas de qualquer geração e qualquer lugar”, resume Charles Gavin.

 

 

Para setembro, é esperado o encontro de Ney Matogrosso com os pernambucanos da Nação Zumbi. Eles vão revisar o repertório do Secos & Molhados no Rock in Rio 2017. Por enquanto, apenas uma faixa do explosivo encontro foi liberada (veja acima). A sensacional releitura de O Amor, quarta faixa do álbum inaugural da banda, deixa na boca o gosto ocre na expectativa pelas demais revisões dos clássicos dos Secos e Molhados. O material sinaliza que o agudo de Ney e o grave de Jorge Du Peixe se fundem com perfeição, trazendo um interessante contraste num das faixas mais suaves do primeiro LP lançado em 1973.

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