Faro de Rock - Bruna Faro

Discothèque avec rock – O rock francês dos anos 1970

BRUNA FARO

A década de 1970 foi um período marcante, com a aparição de diversos gêneros que vão das sinfonias dançantes as distorções mais pesadas. Punk, disco, new wave, muitos tipos que descendem do rock foram surgindo nessa época e muitos deles tiverem seus próprios nichos. Uma diversidade feita para animar, rebelar e identificar seu público.

Antes de viajar para o black power, é importante relembrar do começo do rock francês, do ícone Johnny Hallyday, do movimento yé yé e do espírito polêmico dos artistas franceses. Um pouco dessa história já foi contada por aqui, e agora é a vez de mostrar os anos seguintes, com influências que ajudaram a criar essa arte celebrada até hoje.

Os embalos da França
Para falar sobre a música da época da brilhantina, é preciso voltar no tempo para a Segunda Guerra Mundial. Foi nessa época que surgiu a discothèque (discoteca, em português), palavra já usada pelos franceses em torno de 1940 para se referir aos lugares onde não tocavam música ao vivo. Anos depois, esse termo começou a ser usado mundialmente para os clubes dos anos 1970 e ao ritmo mais dançante dessa era, o disco.

Se você cresceu nesse período provavelmente já ouviu a pergunta “voulez-vous coucher avec moi?” que significa você quer dormir comigo, em francês. Mesmo que sua língua seja francófona, essa frase ficou famosa através da música Lady Marmalade da banda americana Labelle, considerado um dos singles mais famosos de seu tempo.

Uma grande artista francesa que marcou essa época e até hoje continua em atividade é Sheila. Começou sua carreira nos anos 1960 e seu primeiro hit foi L’école est finie que vendeu 1,5 milhão de cópias em 45 dias! Entre 2017 e 2018 faturou US$ 75 milhões, se tornando a cantora mais bem paga juntando seu trabalho e seus projetos, como restaurantes, marca de roupa e até time de futebol. Foi a cantora que mais vendeu discos na França entre os anos 1960 e 1970. Nos tempos da discoteca, Sheila estourou mundialmente com seu single Les Rois Mages.

É difícil passar por esse período sem automaticamente pensar nas famosas boates, como as do filme Os Embalos de Sábado a Noite, porém a década também criou sua marca com gêneros influentes do rock’n roll.O glam rock, por exemplo, surgiu no Reino Unido. Um estilo que ia do talento musical até as peças de roupa. A maioria dos músicos se vestiam de forma extravagante e andrógina. Grandes representantes desse nicho foram David Bowie com seu estilo único, Kiss e suas vestes icônicas, entre outros. No país da torre Eiffel o glamour fez uma breve aparição. A banda The Frenchies foi a mais conhecida, mas durou somente de 1973 à 1975, lançando um álbum, Lola Cola.

Nesse período também surgiram mais tipos de rock, entre eles o heavy metal e o progressivo.

O metal na verdade apareceu no final dos anos 1960 e virou um estilo de vida. Seus fãs adotaram uma forma de se vestir e se portar que virou uma marca conhecida através do mundo. Uma das primeiras músicas que apresentou seus traços foi a famosa Born To Be Wild, do grupo Steppenwolf. Algumas das bandas de destaque mundial foram Led Zeppelin e Black Sabbath, mas conforme seu desenvolvimento vários nichos foram se formando. A França tem várias bandas desse gênero, porém esse ar mais pesado só foi ganhar força nos anos 1980.

Uma das bandas mais conhecidas da França com estilo progressivo é a Magma. Muito importante para a formação da identidade musical de seu tempo, foge do tradicional com seu som experimental misturando jazz, rock e outros. Seu criador e baterista, Christian Vander, criou todo um universo, com um planeta chamado Kobaïa e sua língua nativa Kobaïan que é usada em grande parte de seu trabalho. O dialeto foi inspirado no alemão e no eslavo e foi feito para expressar sons através da música que não são possíveis por simples palavras.

Como se não bastasse, Vander também deu origem a uma nova vertente do rock progressivo: Zeuhl. Já dá para imaginar que a palavra vem do Kobaïan e significa celestial. Esse ritmo é uma combinação de vários, entre eles jazz, heavy metal e até música erudita. Segundo seu criador é uma sinfonia que faz seu corpo todo vibrar de tal forma que é possível sentir o espírito através da matéria.

Outro som que marcou a época foi o punk. Chegou agitando nos países ingleses e logo apareceu na França entre seus simpatizantes. Acordes repetitivos cobertos por discursos, cheios de atitude e energia. O primeiro festival europeu de punk aconteceu no dia 25 de agosto de 1976, em Mont-de-Marsan, na França. Métal Urbain, Gazoline, Stinky Toys foram algumas da primeiras bandas francesas do gênero, por volta de 1976. No começo os fãs preferiam ouvir as músicas em inglês, por isso o punk francês só foi ganhar força no final da década. O primeiro “boom” foi com a canção Ça Plane Pour Moi, do belga Plastic Bertrand.

Quando o punk começou era muito usado o termo new wave para se referir ao gênero. Depois de um tempo esses dois foram se separando e mais um estilo musical surgiu: a nova onda (new wave). Classificada como um punk mais elaborado e uma pegada mais pop, onde há influência de outros gêneros e letras inteligentes. Suas primeiras aparições foram no bar CBGB, em New York, com Blondie, Talking Heads, etc. Inclusive um dos hinos mais famosos dessa “onda” contém frases em francês. Psycho killer, qu’est-ce que c’est (assassino psicótico, qual é que é), cantava David Byrne, vocalista do Talking Heads.

Mesmo sendo criado nos anos 1970, esse ritmo ficou mais famoso entre os franceses na década seguinte, assim como muitos gêneros que com o tempo ganharam mais força à medida que novos artistas apareçam.

Há muita música boa nesse país que exala arte. Essa jornada musical francesa vai muito além desse período. As décadas seguintes são recheadas de estilos e histórias. Portanto não perca essa voyage que será contada em outros textos por aqui.

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