Chez Marc Paes fotos: Alexsander Ferraz Chez Marc Paes fotos: Alexsander Ferraz Chez Marc Paes fotos: Alexsander Ferraz Chez Marc Paes fotos: Alexsander Ferraz Chez Marc Paes  fotos: Alexsander Ferraz Chez Marc Paes  fotos: Alexsander Ferraz Chez Marc Paes fotos: Alexsander Ferraz Chez Marc Paes  fotos: Alexsander FerrazBelo dia, descendo do ônibus para ir ao trabalho, Laís desviou do caminho habitual. Guiada pelo aroma foi parar na Chez Marc Boulangerie, uma típica padaria francesa escondida em meio a oficinas mecânicas na Rua Lucas Fortunato, na Vila Mathias. Ali, experimentou o croissant quentinho, que agora faz parte da sua rotina diária. “Todos os dias, passo e pego meu café com croissant”. Assim como ela, muitos outros santistas têm descoberto os sabores especiais da autêntica panificação francesa.
Em um local improvável, o parisiense Marc Leneuje abriu sua boulangerie (padaria) e ali assa diariamente especialidades francesas preparadas no método tradicional das principais casas parisienses. Os pães são feitos com fermentação natural, aquela que age mais lentamente, por 24 horas, sob refrigeração. Para o preparo, utiliza farinha de trigo importada da França, geralmente feita em moinhos de pedra e não industrialmente. O fermento também é natural, cultivado por ele mesmo e alimentado diariamente com farinha e água.
Outra particularidade: não espere encontrar ali pães similares aos das padarias brasileiras. Ali se faz pão tipicamente francês. Aquele que tem a casca mais dura, miolo aerado e mais escuro. “Muitos estranham. Temos que explicar que, na França, o pão tem casca mais dura mesmo. Mas depois que provam, gostam”, diz.
Mais um pedido comum que o padeiro escuta quase que diariamente é se tem croissant recheado. “Não fazemos. Temos o croissant tradicional, crocante, folhado, amanteigado. Recheio só se coloca no croissant amanhecido, aquele que precisa voltar ao forninho”.
Não espere chegar na boulangerie e encontrar dezenas de tipos de pães. Como tudo é artesanal e feito diariamente, saem por dia fornadas de cerca de oito diferentes pães. No dia da minha visita, saíram pães de azeitonas (R$ 15), gorgonzola (R$ 20), tomate seco (R$ 15), ciabata (no sanduíche, R$ 7) , croissant (R$ 5), multigrãos (R$ 8,50), chocolate (R$ 4) e a minha preferida: a baguete tradicional (R$ 5), símbolo máximo da França, imbatível com manteiga. Marc faz diariamente, também, cookies (R$ 3).
Há combos especiais de sanduíche com café (R$ 8) ou refrigerante (R$ 10), de croissant com café (R$ 7) e cookie ou minifolhado com café (R$ 5) .
Também saem do forno pães sob encomenda para alguns estabelecimentos da Cidade, como Casa do Café do Shopping Balneário, Hula Hula, Manuía e Petit Verdot. Este último desenvolveu um pão exclusivo feito com linguiça artesanal. “Trabalhamos com encomendas para casa das pessoas também. É só ligar com antecedência”.
Enfim, um tesouro escondido que merece ser conhecido.
Serviço: Chez Marc Boulangerie (Rua Lucas Fortunato, 119, Vila Mathias – perto da Av. Ana Costa). Funcionamento: de segunda a sexta, das 8h às 17h e sábado, das 8h às 12h.

Uma história de amor e escolhas
Como um padeiro francês veio parar em Santos? A história, claro, envolve amor. Há cerca de 15 anos, Marc conheceu pela internet a santista Angela. Começaram uma amizade à distância, que logo virou namoro. Angela fez uma escolha. Decidiu deixar o emprego estável como professora de artes da rede pública e mudar-se para pequena cidade de Le Kremlin-Bicêtre, do ladinho de Paris.
“Pensei: emprego arrumo em outro lugar, mas uma pessoa especial não. ” E assim, tornou-se Angela Lejeune. Morou lá 13 anos, até que Marc descontente com seu trabalho em uma empresa de suporte de informática, resolveu aprender o ofício de padeiro na melhor escola de Paris, seguido de estágios em tradicionais boulangeries parisienses. “Eu queria produzir algo. Ver o resultado do meu trabalho”, diz Marc.
Angela conta que sempre, todas as férias, o casal passava as férias em Santos. “Ele sempre gostou muito daqui. Daí decidimos mudar para Santos e abrir a boulangerie ao estilo francês”, conta Angela.
O local foi escolhido por conta dos altos preços de aluguel em Santos. “Estamos começando. Nesse início, temos nos dedicado a mostrar que a padaria francesa é diferente da brasileira. Ela só tem pães, todos artesanais. Não temos outros produtos. No máximo, um cafezinho ou um suco para degustar no balcão”.

Baguete, símbolo francês
A baguete é o símbolo máximo da França É comum ver os franceses com um filão debaixo do braço na saída do trabalho a caminho de casa. Napoleão Bonaparte criou regras para a garantir a qualidade da baguete, valorizando os padeiros e os ingredientes. Mais tarde, em 1993, foi adicionado ao decreto até mesmo especificações de como deve ser feita, seu tamanho e formato para ser considerada a verdadeira baguete francesa. Ela é tão importante que merece um concurso anual, o Grand Prix de La Baguete, no qual o presidente nomeia um padeiro que se torna o fornecedor oficial do Palácio do Eliseu, a residência do chefe de estado francês.