Eu não fazia ideia, mas hoje é Dia do Pão de Queijo. Vamos combinar que TODO DIA É DIA DE PÃO DE QUEIJO!! Mas já que lembraram dele, vamos homenageá-lo aqui no blog com uma matéria bacana falando com quem entende, contando um monte de curiosidades e dando umas receitinhas para você fazer em casa.

Ô Trem Bão

Todo mineiro que se preze tem a sua receita de pão de queijo. Esse quitute tipicamente nacional, nasceu nas Minas Gerais, mas rompeu as fronteiras do Estado, tornando um queridinho na mesa dos brasileiros. E para quem vai morar fora do País, uma das maiores saudades é dele, quentinho saindo do forno.
A sua textura única, crespinha por fora e puxa-puxa por dentro, é dada pelo ingrediente-base: o polvilho, um derivado da brasileiríssima mandioca– que tem estado na moda por gerar derivados que não contêm glúten.
Há quem use o polvilho doce. Tem que prefira o azedo e há os adeptos de se misturar os dois na receita. Elzinha Nunes, uma sumidade quando o assunto é culinária mineira, explica que tradição mesmo é usar o azedo. Mas que é uma questão de gosto. “O doce deixa o gosto mais suave. Já o azedo é mais ácido, mas deixa o pão de queijo mais original”.
Dona dos Restaurante Dona Lucinha e Aneto, ambos na Capital, e fundadora do Clube da Cozinha Brasileira, Elzinha nasceu no Serro, antiga Vila do Príncipe, uma das mais importantes cidades coloniais mineiras. E prepara essa quitandinha (como chamam biscoitos e pães em Minas) desde menina.”Minha mãe, Dona Lucinha, vendia quitandinhas”.
Atualmente, ela prepara diariamente mais de 3 mil pães de queijo em suas casas paulistanas e está finalizando o lançamento de um marca própria do quitute congelado, que será comercializada em todo Brasil.
A pesquisadora e chef explica que para deixar o pão de queijo cheio de catapora, como se diz em Minas, é preciso usar bastante queijo e escaldar o polvilho com leite quente.
“Aquele crespinho da casca é obtido escaldando o polvilho. Coloca-se o leite quente e depois que ele é totalmente absorvido, faz-se uma farofa com as mãos. Aí, coloca-se os ovos, o sal e o queijo. Eu uso 600g de queijo para cada quilo de polvilho. Tem quem use 1 por 1, mas fica muito calórico. Um exagero, mas delicioso”, conta.
O verdadeiro pão de queijo, segundo Elzinha, é feito na gamela de pau. “Hoje, não podemos usá-la no restaurante, mas, em casa, é nela que fazemos. E tem que ter muito queijo –quanto mais curado, melhor. O nome já diz: pão de queijo? Não pode ser pão de polvilho”.
E o queijo tem de ser meia-cura ou curado, e mineiro, é claro. O pão pode ser moldado grande ou pequeno. E não precisa ser certinho, não. O rústico tem cara de artesanal.
“Tem pão de queijo de todo jeito, com fubá, mandioca ralada, de liquidificador, com ervas, recheado, waffle e uma infinidade. É muita receita. Para mim é uma paixão. Eu tenho muito orgulho por ser da terra do queijo e do pão de queijo”.
E em Minas, tem pão de queijo de manhã, na merenda da tarde, no cafezinho coado de qualquer hora. “Ele nunca falta na casa de ninguém”.

casapaodequeijoA ORIGEM DA FAMA

A mulher que tornou o pão de queijo famoso muita gente conhece só de aparência: Arthêmia Chaves Carneiro, aquela simpática senhora de óculos que virou símbolo da rede Casa do Pão de Queijo. Mineira, claro, e célebre por seus pãezinhos, ela começou a vendê-los para restaurantes na década de 1960. E fez tanto sucesso que, em 1967, seu filho, Mário, achou que era hora de inaugurar uma loja própria no centro de São Paulo. Dona Arthêmia morreu em 1997, aos 92 anos. A rede, hoje nas mãos do neto, Alberto Carneiro Neto, continua de vento em popa: produz 60,6 milhões de pães de queijo por ano e conta com mais de 400 franquias no país.

RECEITA

paoqueijoPão de queijo tradicional, Elzinha Nunes
Ingredientes: 2 xícaras de leite; 1/3 de xícara de óleo de milho; 1 colher (sobremesa) de sal; 3 xícaras de polvilho azedo; 4 ovos médios; 2 xícaras de queijo minas curado, ralado no ralador grosso.
Preparo: esquente o leite com o óleo e o sal. Despeje sobre o polvilho. Deixe escaldar até esfriar. Com as mãos vá fazendo uma farofa. Depois, junte os ovos, um a um, e vá misturando. Junte o queijo. Misture até ficar homogêneo. Enquanto isso, aqueça o forno a 200°C e separe duas assadeiras grandes (não é preciso untar). Unte as mãos com um fio de óleo, pegue porções de massa com uma colher de chá, faça 40 bolinhas e espalhe nas assadeiras, mantendo um espaço livre entre elas. Asse os pãezinhos por uns 20 minutos, até que estejam crescidos e dourados.
Rendimento: 40 pãezinhos