Comportamento e Saúde

O que é necessário para viver a sexualidade saudável? Como você vive a sua?

A sexualidade é importantíssima para a vida e a maneira como a vivenciamos gera diversas consequências para nosso destino. Vivê-la saudavelmente requer cuidados fundamentais com as emoções, com nosso corpo e com nossas atitudes.


Ao contrário do que se imagina, após décadas de grande repressão, seguida de total liberação, sexualidade saudável não é ter relações com inúmeros parceiros ou parceiras e buscar somente o prazer pelo prazer, muito pelo contrário.

Para vivenciá-la de maneira responsável, é necessário que entendamos suas funções e implicações, pois se trata de uma energia que nos vincula às pessoas com quem nos relacionamos e é potencialmente geradora de vida.

O blog Mais Saúde irá abordar neste post questões relacionadas à vivência da sexualidade, saudável e doentia, tecendo algumas reflexões a seu respeito.

A sexualidade é vista por muitos como um tabu, repleta de mitos, assunto do qual não se fala aberta e francamente, mas somente por brincadeiras para dissimular a vergonha, dúvidas e medo.

Para que não se olhe diretamente para estas questões, passa a ser vista e vivida como algo superficial, experimentada de maneira abusiva e inconsequente, tem seu uso banalizado pensando somente em si e no prazer físico que possa gerar.

Passamos por décadas de repressão sexual, da noção vinculada de sexo ao pecado e a culpa, e a partir dos movimentos de liberação sexual passamos a viver o oposto, a liberação total, o uso inconsequente da sexualidade gerando outros problemas, mostrando que o equilíbrio está sempre no caminho do meio, o qual a humanidade ainda não conseguiu chegar, oscilando entre extremos.

A sexualidade é uma função que só deveria ser vivenciada por adultos.

Ser adulto não se trata somente de ter a idade legal de adulto, 18 anos, mas sim uma postura e consciência adultas, para viver a vida de maneira responsável, atenta e cuidadosa, consigo e com os outros, vivendo um amor adulto, maduro e compatível com a fase de vida em que nos encontramos.

O estudo da Consciência Sistêmica e dos Níveis de Amor nos mostra que há 7 níveis de amor que evoluem, ou deveriam evoluir, desde o nascimento até a vida adulta.

Estes níveis são o amor Pornéia, Storge, Philia, Eros, Materno, Paterno e Ágape.

O primeiro nível é o Amor Pornéia, que é o amor que o bebê sente por sua mãe.

Nesse nível de amor a mãe dá e o bebê somente recebe, é cuidado e tudo é feito para seu prazer, sem que ele retribua o que recebe.

Do Amor Pornéia deriva a palavra pornografia, uma indústria que mobiliza muito dinheiro e atrai milhões de pessoas em todo mundo.

A pornografia é a busca de ser agradado, de sentir prazer, sem retribuir ao outro, que é usado somente para sua satisfação, equivalente ao modelo do amor que o bebê procura em sua mãe.

O fato de muitas pessoas na fase adulta só conseguirem se relacionar e ter prazer através da pornografia evidencia que não conseguiram ultrapassar o amor Pornéia, infantil e autocentrado, para atingir o amor Eros, que é o nível de amor no qual se cria uma parceria afetiva com equilíbrio de troca, preocupação mútua, abertura, intimidade, entrega e vinculação cada vez mais profunda, o amor adulto entre duas pessoas.

Separar Amor e Sexo, e não conseguir vivê-los em uma só pessoa, somente conseguindo experimentar o prazer e sexualidade com uma (amante) e o amor com outra (parceira / parceiro), evidencia que temos dentro de nós um modelo dividido de relacionamento, denotando segundo Reich um traço de caráter rígido, que pode gerar insatisfação, traições e relações triangulares, repetindo de maneira imatura o primeiro triângulo amoroso que experimentamos em nossa vida, Eu, minha Mãe e meu Pai.

A criança deverá abrir mão de seu primeiro amor, a mãe no caso do menino e o pai no caso da menina, orientados e conduzidos neste movimento por seus próprios pais, a fim de estarem livres no futuro a viver relações plenas, íntimas e profundas, unindo o amor e o sexo em uma só pessoa, pois esse é um movimento saudável.

Imaginar que a sexualidade saudável significa manter o máximo de relações possíveis visando o prazer, sempre que se quiser e ter múltiplos e frequentes parceiros e parceiras, poderia ser comparado a ter a liberdade de comer ao máximo, tudo o que se quiser a hora que desejar, pelo prazer, e imaginar que isso não traria consequências negativas para nossa saúde.

A sexualidade sem responsabilidade, sem proteção adequada, sob efeito de álcool e drogas, vivida de maneira inconsequente, para esconder a imaturidade, para provar ou conquistar algo, usando e sendo usado, pode acarretar como consequências doenças sexualmente transmissíveis, gravidez não planejada e indesejada, além de apego, sofrimento e desequilíbrios na vida afetiva.

A tradição Ayurvédica, originária na India há muitos séculos nos legou 5 preceitos ou Yamas para uma vida plena e saudável, dos quais o mais famoso é Ahimsa ou Não Violência, do qual conhecemos a força ao ser conduzido por Mahatma Ghandi e pelo povo indiano durante a libertação da India enquanto colônia da Inglaterra.

Um dos outros preceitos ou Yamas é Bramacharia, a vivência responsável da sexualidade, tão necessária na atualidade quando testemunhamos seu uso irresponsável, gerando escândalos nos quais tantas pessoas se envolvem por não saberem, não terem aprendido a lidar de maneira adulta com esta força da natureza.

A energia da sexualidade, de acordo com as leis naturais, serve para nos individualizar, e ir separando (seccionando – sexualidade) da nossa família de origem para que estejamos prontos a ir para a vida adulta e construir uma nova parceria, uma relação profunda, íntima e amorosa com outra pessoa adulta, gerando uma nova vida e levando a família adiante.

Criamos um vínculo com todas pessoas com quem nos relacionamos sexualmente, mesmo que de maneira irresponsável, inconsequente e inconsciente.

Se espalhamos essa energia indiscriminadamente, ela se torna fraca e não conseguimos nos separar de nossa família de origem nem formar vínculos fortes com ninguém.

Quando temos uma parceria forte e amorosa, com quem vivenciamos intimidade e uma sexualidade intensa e prazerosa, ampliamos continuamente nosso vínculo gerando uma relação cada vez mais profunda, conectada e baseada no equilíbrio de troca, dar e receber.

Durante o ato sexual liberamos substâncias químicas que geram prazer, nos conectam ao outro e aprofundam a ligação, como a dopamina, serotonina, e principalmente a oxitocina, que é o hormônio do vínculo.

Viver a sexualidade somente pelo prazer é abrir mão da oportunidade de gerar um vínculo profundo para a vida com outra pessoa, de nos abrirmos realmente para a que o outro conheça nossa intimidade e conheçamos a dele, uma oportunidade de dar e receber prazer, amor, e aprofundar a conexão, numa ligação que não teremos com mais ninguém.

Um  casal que abre mão da sexualidade quando nasce um filho e se tornam pais, deixam de cuidar do relacionamento e de priorizar hierarquicamente o que veio antes, o casal, que vem antes de serem pais.

Agindo assim, enfraquecem a união e ensinam este padrão de relacionamento pra seus filhos, que sempre modelam os pais e poderão repetí-lo futuramente em suas relações.

Segundo Bert Hellinger, terapeuta e filósofo criador das Constelações Familiares, as Ordens do Amor são leis sistêmicas da vida que regem todos os relacionamentos, familiares, afetivos, amizades, e profissionais.

Essas leis sistêmicas da vida são:

1- pertencimento aos sistemas dos quais participamos, iniciando pela família de origem, todos tem o direito de pertencer.

2- a hierarquia nos sistemas, respeitando os que vieram antes que devem manter sua força, e cuidando dos que entraram depois e são mais fracos. e

3- o equilíbrio de troca nas relações, vertical quando a relação é entre equivalentes, caso das amizades, e relações afetivas, e horizontal nas relações entre pais e filhos, quando os maiores (pais) dão e os menores (filhos) recebem, enquanto são pequenos.

Aprendemos através das Constelações Familiares que muitas vezes repetimos sem saber modelos de relacionamento existentes em nosso sistema familiar, e, devido a movimentos inconscientes de lealdade sistêmica pode acontecer de não nos sentirmos autorizados a viver relações profundas e verdadeiras, quando por exemplo nossos pais ou avós não o puderam viver.

Aceitar o outro exatamente como é, e aceitar sua família da mesma maneira, sem julgamentos, nos abre para a possibilidade de um relacionamento saudável e de construirmos juntos um modelo diferente e mais funcional de parceria afetiva para a vida, com uma sexualidade adulta, prazerosa e saudável.

Viver de acordo com as leis naturais da vida nos faz ter relações profundas, saúde, sucesso e prosperidade. Não observá-las faz com que nos desconectemos da natureza, e certamente pagaremos um preço por fazê-lo, através de possíveis dificuldades pessoais, afetivas e profissionais.

Além da questão afetiva, energética e mesmo espiritual da sexualidade, temos a questão física, os cuidados com a saúde do corpo a fim de vivenciar uma vida sexual ativa e prazerosa, possibilitando nossa conexão saudável e profunda com nossos parceiros no relacionamento.

Uma dúvida usual dos pacientes é qual a importância da consciência corporal para o sexo?

O ato sexual é uma atividade que envolve todo o corpo, as emoções e sensações, criando vínculo que aproxima pessoas através do compartilhamento e intimidade.

Se o corpo estiver saudável e a percepção e consciência corporal estiverem presentes num nível harmonioso poderemos desfrutar da sexualidade com atenção, presença e prazer, e esta experiência será uma troca que fará ambos crescerem e se sentirem bem.

O ato sexual prazeroso para ambos demanda que nosso corpo esteja minimamente saudável, as emoções se encontrem em equilíbrio e a mente esteja presente e focada no momento presente, na própria relação sexual, caso contrário não será possível ter uma relação satisfatória, com prazer e equilíbrio de troca.

Se a mulher estiver se sentindo mal, nervosa, ansiosa, distraída ou preocupada com outra coisa, não conseguirá relaxar e sentir prazer.

O homem se ansioso e tenso poderá ter problemas de disfunção erétil, o que prejudicará a relação e pode gerar ansiedade de desempenho para relações futuras.

Existem diversas técnicas que podemos utilizar para controlar a ansiedade, em algum momento específico no qual seja necessário.

Podem ser técnicas pontuais ou fazerem parte de um processo terapêutico de tomada de consciência e modificação de padrões e comportamentos habituais.

Uma técnica que pode ajudar ambos a relaxar, manterem-se atentos, focados e relaxados é a prática da respiração diafragmática ou abdominal.

Trabalhar com a respiração tem efeito positivo e rápido na percepção e nos sintomas da ansiedade.

Estudos já comprovaram que a Ioga, técnicas de respiração e a meditação ajudam na prevenção e como complementares no tratamento das doenças emocionais, dentre as quais a ansiedade, depressão e doenças orgânicas, o que favorece a sexualidade saudável.

Quando ansiosos nossa respiração fica acelerada e superficial, o que agrava os próprios sintomas da ansiedade, gerando um ciclo vicioso.

A respiração indicada para reduzir os sintomas, na crise, e também fora dela, é a respiração diafragmática, ou abdominal.

Se trata de uma respiração profunda, que atua modulando a ação do sistema nervoso autônomo, reduzindo a ação de seu ramo simpático que libera hormônios do estresse e estimulando o ramo parassimpático que aumenta a resposta de relaxamento, além de reduzir os pensamentos ansiosos.

O sedentarismo prejudica a saúde em geral, sendo um fator de risco para as doenças crônicas, e também pode aumentar os sintomas da ansiedade.

O sedentário pode agravar sua saúde cardiovascular e respiratória e também os sintomas emocionais, como a ansiedade e o estresse.

Um organismo descondicionado se encontra menos preparado para a sobrecarga física e emocional que ocorre com as solicitações da vida e durante a vivência saudável da sexualidade.

Quanto ao movimento e a prática de esportes, há benefícios para a sexualidade, de modo geral, em praticar as diversas modalidades esportivas.

A atividade física regular e orientada pode melhorar a saúde física e mental, mas deve ser uma atividade prazerosa e agradável para cada pessoa.

Participar de uma atividade física que não se gosta e implica em algum grau de descontentamento e insatisfação pode agravar a saúde emocional, gerando mais estresse e ansiedade.

Lembrando que o movimento e o esporte sempre são benéficos para a saúde em geral, vamos elencar algumas atividades que contribuem para a melhora do desempenho sexual, gerando mais prazer e intimidade.

Algumas práticas esportivas são conhecidas por terem um efeito tranquilizador e por reduzirem os sintomas do estresse, da depressão e da ansiedade.

O Pilates é uma atividade física que ajuda a corrigir a postura, alinhar a coluna e desenvolver a musculatura dorsal, também melhora o condicionamento cardiovascular, respiratório, proporciona alongamento e flexibilidade, traz força muscular, equilíbrio e fortalece o Core, ou centro do corpo, localizado na região abdominal, melhora o condicionamento físico e também mental, pois trabalha a atenção e concentração durante a prática.

Com estes ganhos para a saúde, a sexualidade pode acontecer de maneira mais saudável, natural e plena.

A prática do Ioga nos reconecta com o momento presente, o aqui e agora e impede ou diminui o fluxo desordenado de pensamentos e emoções negativas voltadas ao futuro.

Nos reconecta com a possibilidade de agir racionalmente orientados para a solução de nossos problemas, reduzindo a resposta ao estresse e os gatilhos da ansiedade.

As técnicas de respiração e as posturas do Ioga modulam e equilibram a resposta do sistema nervoso autônomo, causando regulação do ritmo cardíaco e respiratório, aumento da força e equilíbrio muscular, e correção da postura.

Modifica o padrão emocional, reduzindo a resposta ao estresse, a ansiedade e favorece um estado de calma e equilíbrio.

O Ioga harmoniza o físico e o mental, proporcionando ganho à saúde e qualidade de vida e favorecendo a prática da sexualidade plena e saudável.

A Meditação Mindfulness é uma prática de meditação oriunda de tradições como o Budismo, e que foi adaptada para o ocidente, sendo muito estudada por pesquisadores como Richard Davidson, Jon Kabatt Zin e outros, que comprovaram seus efeitos benéficos na saúde e qualidade de vida.

Pode ser definida como um estado de atenção plena no aqui e agora, quando estamos totalmente presentes naquilo que estamos fazendo, o estado chamado de presença, o que ocasiona uma percepção alterada de tempo, e modificações em nossa fisiologia.

Existem diversas técnicas de meditação, e algumas tem outros enfoques.

O estado Mindfulness pode ser conquistado inclusive quando fazemos outras atividades que não só a meditação, e um estado de presença e total foco e concentração naquilo que estamos fazendo.

A meditação Mindfulness ocasiona uma resposta de relaxamento e faz com que nosso organismo libere substâncias como a serotonina e endorfinas que aliviam o estresse e a ansiedade, e trazem relaxamento e calma.

Vários trabalhos mostraram que meditar melhora as doenças cardiovasculares, pode auxiliar no tratamento da hipertensão e aprimora a circulação, o que favorece a sexualidade, já que o orgasmo e especialmente a ereção requerem uma circulação saudável.

O Tai Chi Chuan é uma arte marcial chinesa de origem milenar que compartilha dos mesmos princípios da acupuntura e da medicina chinesa e busca o equilíbrio e a conquista da saúde física, mental e energética, além de ser utilizado para aprimorar a forma física, e como método de defesa pessoal.

Os movimentos e práticas do Tai Chi Chuan seguem os princípios da filosofia taoista que originou a Medicina Chinesa, de curar através do livre fluxo da circulação de Chi, a energia vital, e de Xue, o sangue, da harmonização dos órgãos e sistemas e do homem com a natureza.

Para a Medicina Chinesa quando há um obstáculo ao livre fluxo de Chi e Xue, a doença se instala.

Resgatar esse fluxo natural é imprescindível para o resgate da saúde.

Os movimentos do Tai Chi Chuan requerem flexibilidade, força muscular e equilíbrio pois é uma arte marcial que utiliza o próprio corpo, além de equipamentos como por exemplo espadas.

Toda atividade física realizada regularmente modula a atividade do sistema nervoso autônomo, reduzindo a resposta de estresse e aumentando a resposta de relaxamento.

Os movimentos do Tai Chi Chuan requerem uma postura equilibrada, movimentos que alongam e fortalecem a musculatura de pernas, braços, tronco e as articulações além da coluna, corrigindo desvios posturais nos praticantes, desde que não sejam graves.

O Tai Chi Chuan é uma arte marcial que utiliza a respiração e os movimentos corporais em sintonia, e assim potencializam a capacidade respiratória e cardiovascular dos praticantes o que auxilia na prática saudável da sexualidade, com vigor, equilíbrio e gerando prazer e satisfação.

Quanto ao alongamento, alongar-se faz com que o corpo se sinta relaxado, equilibrado e forte, se atenuam as dores crônicas e ocorre uma sensação de bem estar, o que auxilia a vivenciar a sexualidade saudável, com menos limitações físicas e com sensação de prazer e satisfação.

A automassagem faz com que conheçamos melhor nosso corpo, nossas sensações e locais prazerosos, além de proporcionar relaxamento e alívio das dores e diversos incômodos, nos relaxa e possibilita uma vivência mais consciente e plena da sexualidade saudável.

Cuidando do corpo e da mente, poderemos vivenciar a sexualidade adulta e saudável, que nos levará para uma vida plena.

Cuide de sua saúde, procure seu médico para uma avaliação e se sentir problemas ou dificuldades em vivenciar a sexualidade saudável, busque também a ajuda profissional de um psicólogo.

Ao final de de setembro, todos que colaborarem com o blog através de comentários, críticas construtivas e sugestões concorrerão a um exemplar com minha dedicatória do livro “Novo Manual de Coaching”!

Quem colabora ativamente com o blog faz parte do time da saúde e qualidade de vida e ainda pode ganhar diversos prêmios saudáveis!

Muita paz e saúde a você e aos seus!

Dr. Roberto Debski

Médico – CRM SP 58806

Especialista em Homeopatia e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira

Psicólogo – CRP/06 84803

Coach Sistêmico e Trainer em Programação Neurolinguística

Facilitador em Constelações Familiares



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